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Nos últimos anos, temos assistido a um aumento dos doentes em terapias substitutivas da função renal (TSFR) em Portugal, isto é, há cada vez mais pessoas a fazer tratamentos que assumem as funções dos rins, quando estes perdem a capacidade de filtrar o sangue.
Falamos de hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal.
Os dados mais recentes da Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL) revelam que, neste momento, há mais de 13 mil doentes portugueses a fazerem hemodiálise.
Esta quinta-feira, dia 12 de março, assinala-se o Dia Mundial do Rim e falámos com Ana Farinha, médica nefrologista e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia.
© Ana Farinha
Panorama de problemas renais em Portugal
Em Portugal, a doença renal crónica (DRC) é uma realidade preocupante que afeta cerca de 1 milhão de pessoas. A especialista explicou que esta é uma "epidemia silenciosa que pode estar ligada a patologias metabólicas e cardiovasculares".
"Os números são alarmantes", no final de 2023, tínhamos 13.976 portugueses em hemodiálise, um número que cresceu 1,6% face a 2022 e que continua a aumentar todos os anos, conforme sublinha Ana Farinha.
Além de ser "o reflexo de uma epidemia silenciosa" impulsionada pelo envelhecimento da população, o crescimento dos doentes em TSFR em Portugal deve-se a uma elevada prevalência de doenças crónicas.
Este aumento reflete "uma dificuldade contínua no controlo de fatores de risco como a diabetes e a hipertensão, que acabam por conduzir mais doentes a estádios de falência renal, mas sobretudo um diagnóstico muito tardio desta condição", descreve a especialista.
A diabetes chega a ser responsável por 32,5% dos casos. A par disso, problemas como hipertensão arterial e obesidade também têm bastante peso e são considerados dos "principais impulsionadores desta doença devastadora".
"Os doentes enfrentam uma alteração profunda na sua qualidade de vida, especialmente em estádios avançados. Além do impacto físico da doença, existe a carga psicológica e social de tratamentos exigentes.
Quais as principais causas da Doença Renal Crónica?
A Doença Renal Crónica (DRC) caracteriza-se pela perda progressiva da função dos rins. Está intrinsecamente ligada a patologias metabólicas e cardiovasculares, como:
Diabetes: Responsável por 32,5% dos casos de DRC;
Hipertensão Arterial: Um dos principais agressores da vascularização renal;
Obesidade: Fator de risco crescente que sobrecarrega a função filtradora dos rins.
Mas também a doenças sistémicas (como doenças auto-imunes ou infecciosas), doenças hereditárias ou complicações de doenças urológicas.
Sinais de alerta a que devemos estar atentos
Por a DCR ser silenciosa, os sinais também surgem, muitas vezes, tardiamente. No entanto, a médica nefrologista pede especial atenção para as seguintes situações:
- Alterações na cor ou volume da urina;
- Cansaço extremo e anemia sem causa aparente;
- Inchaço (edema) nos pés, tornozelos ou rosto;
- Alterações na pressão arterial.
Como diagnosticar problemas de rins
A identificação precoce não pode depender de sintomas que, como vimos, são inespecíficos e tardios, por isso, Ana Farinha recomenda a realização de alguns exames como:
Análises de Sangue: "Para medir a taxa de filtração glomerular através da creatinina";
Análises de Urina: "Para detetar a presença de proteínas (albuminúria)";
Vigilância Médica: "Consultas regulares, especialmente para grupos de risco".
Há tratamentos?
Numa fase precoce da doença, a especialista refere que existem já vários tratamentos que "podem travar a progressão da doença renal e evitar que esta chegue a uma fase terminal, em que não há tratamento dirigido à doença, mas apenas tratamentos que pretendem substituir parcialmente as funções dos rins, como a hemodiálise, a diálise peritoneal e o transplante renal".
A prevenção
A prevenção assenta na monitorização e no estilo de vida, isto é, um "controlo rigoroso da glicémia e da pressão arterial, adoção de uma alimentação saudável e combate à obesidade, mas sobretudo no rastreio da doença em avaliações precoces".
Atualmente, "a doença renal crónica afeta cerca de 10% da população adulta portuguesa sendo que os últimos estudos científicos apontam para que, dentro de uma década, esta patologia seja a quinta maior causa de morte em Portugal. Importa, assim, atuar o mais rapidamente possível, quer ao nível da prevenção, quer no tratamento, adequado e atempado", reforça a Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL).
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