Portal Chamar Táxi

Este drone “vampiro” recarrega-se nas linhas de alta tensão e não precisa pousar

kok@s

GForum VIP
Entrou
Dez 9, 2019
Mensagens
10,291
Gostos Recebidos
452

Este drone “vampiro” recarrega-se nas linhas de alta tensão e não precisa pousar







Este é o Santo Graal da indústria dos drones: o voo perpétuo sem intervenção humana. No fundo, este é um drone que se consegue “empoleirar” em linhas elétricas para recarregar energia. Uma inovação que pode revolucionar a vigilância de redes críticas.








O sonho do voo perpétuo




A autonomia continua a ser o calcanhar de Aquiles de todos os drones comerciais. Seja um DJI de consumo ou um aparelho industrial, a regra é clara: após 30 a 40 minutos de voo, é necessário aterrar e trocar a bateria.




Esta limitação logística torna a vigilância de longas infraestruturas, como redes ferroviárias ou elétricas, particularmente dispendiosa e complexa.




Transformar a rede numa estação de serviço





É aqui que entra a Voltair. Esta jovem empresa de São Francisco não procura melhorar a densidade das baterias, mas eliminar a necessidade de regresso à base. A ideia é simples e ousada: transformar a própria rede monitorizada numa estação de abastecimento ilimitada.




A tecnologia desenvolvida pela Voltair, muitas vezes descrita como “parasita” no jargão técnico, baseia-se num mecanismo de fixação sofisticado. O drone não pousa no solo; suspende-se diretamente num cabo de alta tensão, à semelhança de um morcego ou de uma ave.








Uma vez em posição, o sistema bloqueia uma pinça em torno do cabo. Não é necessário perfurar o isolamento para criar contacto elétrico direto, o que seria perigoso.




O drone utiliza a indução magnética: graças ao forte campo eletromagnético gerado pela corrente que circula na linha, “recolhe” a energia necessária para recarregar os seus acumuladores.





Autonomia teoricamente infinita




De acordo com os dados técnicos disponíveis, este processo é totalmente transparente para a rede elétrica. A energia captada é ínfima face à potência transportada, mas suficiente para colocar o drone novamente em voo após um período de carga.



Na prática, isto permite uma autonomia teoricamente infinita, alternando entre fases de voo e de “repouso ativo” na linha. Se o feito é técnico, o objetivo é sobretudo de segurança e económico.







Nos Estados Unidos, e em particular na Califórnia, o envelhecimento das infraestruturas elétricas é uma das principais causas de incêndios devastadores. Empresas gastam fortunas em inspeções com helicóptero ou com equipas no terreno, métodos lentos e poluentes.



As frotas da Voltair prometem vigilância 24 horas por dia, 7 dias por semana. Equipados com sensores térmicos e óticos, estes drones conseguem detetar isoladores defeituosos, sobreaquecimentos anormais ou vegetação demasiado próxima dos cabos antes que ocorra um incidente.




Vigilância contínua sem risco humano




Ronan Nopp, cofundador e CTO da Voltair, formado na Universidade de Washington, destaca a capacidade destes aparelhos para cobrir milhares de quilómetros sem intervenção humana.




Em caso de tempestade ou catástrofe, estas sentinelas podem ser ativadas de imediato para avaliar danos sem colocar vidas humanas em risco, algo impossível com helicópteros.








Desafios regulatórios e técnicos




No papel, a promessa é sedutora, mas a realidade impõe constrangimentos. O primeiro é regulatório. Para que o sistema seja viável, os drones têm de operar em modo BVLOS, ou seja, fora da linha de visão do piloto. Os reguladores aéreos, como a FAA nos EUA e a EASA na Europa, são tradicionalmente cautelosos, embora a legislação esteja a evoluir para infraestruturas críticas.




O segundo desafio é ambiental. “Empoleirar-se” num cabo que oscila com o vento exige uma precisão robótica extrema. Se a tecnologia parece dominada em laboratório ou com bom tempo, a sua aplicação em larga escala sob ventos fortes ainda precisa de validação.




Por fim, há a questão das interferências magnéticas. Os drones têm de ser devidamente blindados para que os intensos campos eletromagnéticos das linhas de alta tensão não danifiquem os seus próprios sistemas de navegação.



A Voltair garante ter ultrapassado estes obstáculos nos protótipos atuais, mas a produção em escala industrial será o verdadeiro teste.





Um possível novo padrão para as redes energéticas





Com infraestruturas energéticas cada vez mais pressionadas pela procura, impulsionada pela IA e pelos veículos elétricos, a abordagem da Voltair pode tornar-se um padrão essencial para evitar apagões.




Resta saber se os operadores aceitarão ver milhares destes “parasitas” benévolos a ocupar os seus cabos.



pp
 
Topo