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Estudo sugere que Alzheimer não destrói as memórias

Feraida

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Os doentes de Alzheimer podem afinal não ter perdido as memórias, mas ter dificuldade em aceder-lhes, o que abre a porta a possíveis tratamentos para recuperá-las.

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HENRIQUES DA CUNHA/Arquivo GLOBAL IMAGENS

Doença de Alzheimer não destrói as memórias, apenas as torna inacessíveis, segundo este estudo

O estudo publicado na revista "Nature", realizado em ratos pelo cientista japonês Susumu Tonegawa, Nobel da Medicina em 1987, mostrou que ao estimular áreas específicas do cérebro com luz azul os cientistas conseguiam que os ratos recuperassem memórias que antes lhes eram inacessíveis.

Os resultados, publicados na quarta-feira, fornecem a primeira prova de que a doença de Alzheimer não destrói as memórias, apenas as torna inacessíveis.

"Como os humanos e os ratos tendem a ter um princípio comum em termos de memória, as nossas conclusões sugerem que os pacientes com doença de Alzheimer, pelo menos nos primeiros tempos, podem também manter as memórias nos seus cérebros, o que significa que existe uma possibilidade de cura", disse Tonegawa, citado pela AFP.

Os cientistas questionam-se há anos se a amnésia provocada por um traumatismo craniano, o stress ou doenças como o Alzheimer resulta de danos em células cerebrais específicas, o que tornaria impossível recuperar as memórias, ou se em causa está o acesso a essas memórias.

Para tentar comprovar a segunda hipótese, Tonegawa e colegas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA, usaram ratos que tinham sido geneticamente modificados para exibir sintomas semelhantes aos dos doentes de Alzheimer, uma doença degenerativa do cérebro que afecta milhões de adultos em todo o mundo.

Os animais foram colocados numa caixa que tinha uma corrente eléctrica baixa a passar no chão, provocando uma sensação desagradável, mas não perigosa, de choque eléctrico nos pés.

Um rato não afectado que seja colocado novamente na mesma caixa 24 horas depois fica paralisado de medo, antecipando a mesma sensação desagradável, mas os ratos com Alzheimer não mostraram qualquer reacção, sugerindo que não têm memória da experiência.

Quando os cientistas estimularam zonas específicas do cérebro dos animais - as "células de engramas" associadas à memória - usando uma luz azul, os ratos aparentemente relembraram-se do choque.

Além disso, ao examinar a estrutura física dos cérebros dos ratos, os investigadores constataram que os doentes tinham menos sinapses (ligações entre neurónios).

Através da estimulação luminosa repetida, os cientistas conseguiram aumentar o número de sinapses até níveis comparáveis aos dos ratos saudáveis.

A certo ponto, deixou de ser necessário estimulá-los artificialmente para suscitar a reação de terror perante a caixa.

"As memórias dos ratos foram recuperadas através de um meio natural", disse Tonegawa. Isto significa "que os sintomas da doença de Alzheimer desapareceram", acrescentou o neurocientista.

"É uma boa notícia para os pacientes", congratulou-se o Nobel da Medicina, que no entanto se mostrou prudente: "Num estádio precoce, a doença poderá ser tratada no futuro, desde que se desenvolva uma nova tecnologia que cumpra os requisitos éticos e de segurança.

Os investigadores estimam que a técnica só funcionasse durante alguns meses nos ratos, ou durante dois ou três anos nos humanos, até a doença avançar de tal maneira que eliminasse todos os ganhos.

A Organização Mundial de Saúde estima em 47,5 milhões o número de pessoas no mundo afectadas por demências, 60 a 70% das quais de doença de Alzheimer, que por enquanto é incurável.

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Cientistas conseguem restaurar memórias de um rato com Alzheimer


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As cerca de 35 milhões de pessoas no mundo que sofrem com a doença de Alzheimer - doença degenerativa que impede o cérebro de manter novas e antigas memórias - podem aquecer as esperanças para a descoberta de uma cura. Cientistas japoneses conseguiram resgatar as lembranças de um rato com Alzheimer em laboratório.

Susumu Tonegawa, chefe do Centro de Circuito Neural Genético do Instituto de Pesquisas Riken, no Japão, desenvolveu com a sua equipa uma técnica que usa optogenética: a mistura de estímulos luminosos, genética e bioengenharia.

O que os cientistas descobriram é que, uma vez que o Alzheimer se instala no cérebro, as lembranças não são perdidas para sempre, mas apenas se tornam inacessíveis.

A equipa descobriu que, pelo menos em roedores, o responsável por procurar as informações armazenadas no cérebro e trazê-las à tona são as espinhas dendríticas - espécie de «braços» que ajudam os neurónios a realizar sinapses.

Em camundongos com Alzheimer, essas espinhas começar a atrofiar, lentamente apagando a memória dos animais.

Através de uma fibra óptica e um processo altamente invasivo, os cientistas emitiam pequenas rajadas de luz concentrada nessas espinhas dendríticas, estimulando-as a crescer e a desenvolver-se novamente.

Com o passar dos dias, a equipa pôde comprovar que as cobaias diagnosticadas com Alzheimer não mais perdiam a memória.

Para testar as capacidades neurológicas dos camundongos, os cientistas do Risken dividiram as cobaias em dois grupos: um com animais com Alzheimer e outro com animais sãos.

Ambos os grupos eram colocados em pequenas câmaras onde recebiam curtos e inofensivos choques eléctricos.

Após alguns dias, os ratos sem Alzheimer demonstravam medo quando eram colocados na câmara novamente.

Já os ratos com Alzheimer comportavam-se naturalmente, indicando que não se lembravam de que aquelas câmaras causavam choques eléctricos.

Após o tratamento com optogenética, os camundongos com Alzheimer eram submetidos novamente ao teste.

O resultado foi que, mesmo após uma semana, os animais continuavam com medo de entrar na câmara, sugerindo que ainda se lembravam das descargas eléctricas que sofreram dias antes.

Por enquanto, porém, o tratamento com optogenética não pode ser realizado em pacientes humanos.

«O ponto importante desta pesquisa é de que se trata de uma prova conceitual», explicou Susumu em comunicado.

«O conceito é o de que, mesmo que uma memória pareça ter ido embora para sempre, ela ainda está lá.

O problema é como aceder a ela.»

Estímulos luminosos no cérebro não são permitidos em humanos por se tratar de uma operação extremamente delicada e invasiva.

O problema é que, para atingir com tanta precisão as espinhas dendríticas, não há qualquer outro método disponível no mundo que seja tão eficiente quanto a optogenética.

«É possível que, no futuro, alguma tecnologia seja desenvolvida para activar ou desactivar células profundamente localizadas dentro do cérebro com mais precisão», disse Susumu.

«Pesquisas básicas como as conduzidas neste nosso estudo oferecem informação sobre quais as células que precisam de ser atingidas [no combate ao Alzheimer], o que é de extrema importância para futuros tratamentos e tecnologias.»

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