Falhas nas farmácias ameaçam tratamentos de fertilidade

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Falhas nas farmácias ameaçam tratamentos de fertilidade

Os tratamentos de fertilidade são as mais recentes ‘vítimas’ da falha de medicamentos nas farmácias.
Há cada vez mais mulheres a queixarem-se de dificuldade em arranjar remédios como o Gonal, Pregnyl, Puregon, Cetrotide e Menopur.
Um cenário que pode pôr em causa tratamentos de milhares de euros. Mariana (nome fictício), de 40 anos, teve problemas em adquirir os medicamentos logo no primeiro tratamento, em Novembro passado, tendo-se a situação prolongado até Maio. “São poucas as farmácias que têm os medicamentos, normalmente só se consegue nas que têm acordo com a APF [Associação Portuguesa de Fertilidade] ou perto dos hospitais/clínicas que fazem este tipo de tratamentos”, explica Mariana, que já teve de percorrer Lisboa “de farmácia em farmácia, de táxi” para encontrar os remédios.
Além disso, alerta, há um risco enorme em ir a várias farmácias diferentes: “Se não pedirmos ao médico o ‘favor’ de prescrever os medicamentos em receitas diferentes, perdemos a comparticipação do Estado, o que se pode traduzir numa diferença para nós de 100 para 300 euros”, acrescenta.
Para muitas mulheres, a falta do medicamento pode significar mesmo o fracasso de um longo e doloroso processo.
Sofia, de 39 anos, fala numa “correria contra o tempo a caminho das farmácias”. E conta que uma vez chegou a dispensar um medicamento – que tinha encomendado com muita antecedência por ter receio das falhas – a uma senhora que sem ele corria o risco de interromper o tratamento.
Já Carolina, de 31 anos, lembra que só conseguiu arranjar os fármacos mesmo no dia limite, em que ia iniciar as injecções: “Foi um autêntico martírio”, diz. Além disso, sublinha Carolina, todas estas situações têm implicações a nível psicológico para as mulheres: “É mais um motivo de insegurança e incerteza num problema que já por si traz bastantes transtornos emocionais”.
Medicamentos ficam com custos adicionais
A Associação Portuguesa de Fertilidade tem recebido vários apelos de casais preocupados com estas falhas no acesso aos medicamentos. Só este ano, já receberam cerca de dez queixas, em especial na região de Lisboa e do Porto – onde a situação é mais alarmante.
A causa para esta falha recai, mais uma vez, nos distribuidores: “A informação que temos das farmacêuticas é de que não há ruptura de stock e que estavam a responder aos pedidos das farmácias, mas os medicamentos não chegam aos estabelecimentos”, refere a presidente da Associação, Cláudia Vieira.
Carlos Calhaz Jorge, especialista em obstetrícia e ginecologia, refere, por seu lado, que este é um fenómeno que começou há cerca de dois anos e se agrava: “Como é uma situação que já está prevista, os casais acabam por tomar medidas para evitar que haja algum problema”, diz o médico. Para Calhaz Jorge, o facto de o lucro das farmácias com estes remédios ter diminuído leva a que muitas optem por não os ter em stock.
A verdade é que todos estes constrangimentos tornam estes medicamentos – que já por si têm custos elevados – ainda mais caros. “Por vezes, os medicamentos são enviados de uma farmácia para outra, por correio, e há outros que têm de ser transportados a frio, o implica um custo adicional”, explica Cláudia Vieira.

Fonte: SOL
 
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