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Mais de uma dezena de pais e outros familiares encontram-se esta segunda-feira a protestar junto a uma escola de Carnide, em Lisboa, por suspeitas de maus-tratos aos filhos.
Segundo a SIC Notícias, os manifestantes estão a tentar impedir a entrada dos restantes pais no espaço.
A Polícia de Segurança Pública (PSP), encontra-se no local a impedir que haja confrontos, uma vez que os ânimos estão exaltados.
Os manifestantes, alguns dos quais em lágrimas, empunham cartazes com frases de revolta e fotografias das alegadas agressões, assim como de atos de negligência.
Ao canal de televisão em questão, a avó de uma das crianças contou que só souberam do que se passava na passada quinta-feira, 5 de fevereiro, através dos pais de uma criança que sofreu um traumatismo craniano.
"Começamos a reunir e a tentar saber o que é que se estava a passar. Entretanto, os pais começaram a perceber que havia várias questões de maus-tratos, fotografias que fomos vendo, por exemplo, de ferimentos", disse a avó, identificada como Patrícia.
Durante a mesma entrevista, a mulher revelou que há suspeitas que as funcionárias obrigam os bebés a comer "até fazer sangue na garganta", "põe papéis na boca para que elas mandem fora, comem vomitado".
"A minha neta tem quase dois anos, está aqui desde os quatro meses, onde fez a introdução alimentar e tem aversão e pânico aos sólidos. Nós perguntávamos se ela comia bem e eles diziam sempre que ela comia bem. Achávamos um pouco estranho. Mas eu, como educadora de infância, que também sou, sei que muitas vezes comem bem na escola, mas não comem bem em casa. É fácil deixarmo-nos enganar", notou.
Segundo Patrícia, os pais sabem agora, através do testemunho de ex-funcionárias, que "batiam muito nas crianças para comer, batiam na testa, batiam com a cabeça".
No caso destas crianças, como os ferimentos eram esporádicos, os pais perguntavam mas as funcionárias diziam: "foi um menino que fez essa ferida" ou "foi no berço que ele se magoou". Agora, reunidas, "foi um puzzle que se montou".
Protesto após queixas
Após se aperceberem do que podia estar a acontecer, no final da semana passada, uma das preocupações - além de apresentarem queixa nas autoridades - era proteger as crianças que viriam hoje para a creche em questão, "porque há muitos pais que não sabem ainda" ou "não querem ver, não querem saber". Por isso, organizaram o protesto que hoje está a ter lugar junto ao espaço.
"Avisamos de facto as autoridades, fizemos queixa na PSP e apresentamos a mesma a todos os órgãos competentes e decidimos que íamos impedir e informar os pais que vinham esta manhã entregar os filhos para não entrarem", anunciou, admitindo que todos os que estão no local estão "transtornados" com a situação.
"O meu filho foi agredido, teve um traumatismo craniano"
Quem também falou com a SIC Notícias foi a mãe do menino que sofreu um traumatismo craniano, na semana passada.
"O meu filho foi agredido, temos testemunhos, temos provas disto. Temos o testemunho de uma funcionária. Foi agredido, teve um traumatismo craniano, desmaiou, não prestaram auxílio. Mais tarde, quando fomos ao hospital é que descobrimos que ele tinha um traumatismo craniano. Não acreditamos na versão delas que tinha sido outra menina. Disseram que tinha sido uma menina agressiva, de um ano e meio, que o tinha empurrado", começou por dizer, mostrando fotos das marcas na cara do menino.
De acordo com esta mãe, foi uma funcionária, "que foi muito corajosa", que esclareceu o que tinha acontecido: "Ela disse-me: 'não foi isso, foi outra funcionária que o empurrou para baixo dos lençóis, ele não queria, tentou subir, ela deu-lhe uma chapada e ele desmaiou'".
Segundo o que a mesma testemunha disse à mãe, nessa altura, as funcionárias nem sabiam se o menino "estava vivo ou morto". "Puseram um puff por cima da cabeça dele, taparam-no. Essa funcionária [a alegada agressora] fechou a porta e disse a outra para ir lá ver se o menino estava bem. Não sei se ele está bem ou não. Outra funcionária, que também faz parte dos abusos, recusou-se a ir. Foi a funcionário que veio falar connosco que foi vê-lo e disse: 'ele está a respirar'".
Aí, conta ainda a mãe, "começaram a ver o que é que iam dizer aos pais", "meteram uma camada enorme de creme".
"O meu filho tinha muito medo de vir para aqui, sempre teve medo, sempre chorou. Só que ele só tem um ano e meio, não tínhamos como provar os factos até virem duas funcionárias desta creche falarem connosco e comprovarem tudo", disse, salientando que "isto é muito grave".
"Esta escola tem de fechar", atirou, antes de concluir a sua intervenção, mostrando duas fotografias - alegadamente tiradas pelas funcionárias que confirmaram as agressões aos pais - de uma menina que ficou "duas horas amarrada" numa cadeirinha e que ficou com lesões nos pulsos.
"Esta escola tem de fechar. Queremos que elas sejam presas. Que nunca mais possam trabalhar com crianças", concluiu.
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